Andei passando por uma época difícil. As coisas melhoraram sem eu saber o porquê do sofrimento, e muito menos sem saber o porquê da melhora. Foi um santo de um professor meu que começou pôr tudo em palavras. Vantagens de estudar psicologia. Então resolvi escrever, pra ver se alguém se identifica comigo…
Foi assim: pronto. De uma hora pra outra estava tudo explicado. Confesso que até fiquei meio frustrada de descobrir que a minha crise existencial não era só minha. Que ingenuidade…
Me inscrevi incontáveis vezes em academias. Nunca durou mais do que dois meses. Não sou sedentária, muito menos anti-social. Porque (catso!) todas as vezes que eu começava a fazer academia algo dali me fazia não suportar mais aquele lugar? Sim, a minha crise teve a ver com eu escutar todos os dias os meninos da academia dizerem que acham 38 de bíceps pouco.
Acontece que o fato das pessoas quererem parecer Deusas e Deuses gregos, tem tudo a ver com eu me sentir sozinha e perdida. Tem tudo a ver com o pessoal que vai à micaretas pra fazer competição de quem “pega” mais. Tem a ver também com as meninas morrerem de anorexia. Tem a ver com esse conceito contemporâneo de saúde que é o de não ter problemas: todo mundo tem que ser legalzinho sempre, agradar sempre. Tristeza é depressão, é desvio, é doença. Na verdade esse texto se trata sobre a perda da nossa “alma” nessa nossa Sociedade Narcísica do Espetáculo, como diriam os sociólogos.
Parece-me que as pessoas esqueceram do que temos de mais essencial, e do que nos caracteriza como humanos. E é isso que eu chamo de “alma”. A nossa alma é social, precisa do outro. Aliás, só sabe se alimentar de relações humanas, profundas e desafiadoras. Essas são as “refeições”. Continuando essa metáfora, é como se o “fazer social”, fosse só aperitivo. Não nutrisse.
Porém, não nos damos mais conta disso e o individualismo começa a tomar conta das nossas vidas. E essa perda do coletivo começa a irradiar para outros setores da vida de cada um de nós. Como eu sou mais importante que o resto, venho antes de todos, começo a usar o outro, não como outro que se relaciona, que ora te completa, que é separado de você, mas como objeto para a própria satisfação. Vou tentar explicar. É o seguinte: o fato de a molecada beijar vinte em uma micareta, não me parece que seja com o intuito de “explorar a sexualidade”, já que o casal, às vezes trio, se ficar junto por mais de cinco minutos será muito. Parece-me menos ainda que beijar tanta gente assim seja conseqüência de uma abundância de afeto. Mais parece que as pessoas fazem isso para principalmente contar pro outro, mostrar pro outro, causar, inveja, admiração, qualquer tipo de reação que remeta a você. Como se o outro fosse uma espécie de espelho.
Nessa necessidade de “parecer” para que então você consiga, através do que os outros pensam de você, se enxergar, a aparência é o que mais conta.
Uma vida voltada para o consumo, se pensarmos bem, é uma boa alternativa de vida para que possamos “parecer” sempre. Um amigo vendia calças Diesel sem a etiqueta em um bazar antes de ir para as lojas. Ouvi gente dizendo que então sem a etiqueta não queria. Também já vi gente, pagando 900% em cima do preço de custo de uma saia da Les Lis Blanc, mesmo sabendo que a mesma saia podia ser comprada na Rua Zé Paulino, no centro da cidade. Já vi gente passando por dificuldades financeiras deixando de pagar contas de telefone e luz para poder juntar dinheiro e comprar um carro caro e, assim, ser bem atendido quando vai a restaurantes chiques. Será mesmo que tudo isso recheia o interior de cada uma dessas pessoas? Talvez infle, não necessariamente recheie. Nenhuma mulher que eu conheço acha 38 centímetros de bíceps bonito, porém muitos homens precisam disso. E eu sei que existem muitas outras calças jeans, além da Diesel, quem “vestem bem”. Nossa vida virou consumo. De carros, bolsas, relógios, tênis… corpos.
E já que é a aparência que importa, além do parecer, o fazer é muito mais valorizado do que o sentir, o pensar. O importante é ser bem-sucedido, bonito, vestir-se bem, ser jovem, ativo, esportista. Mesmo porque se as qualidades valorizadas passassem a ser a sapiência, a cultura, a inteligência, a integridade, a bondade, a amizade, as pessoas teriam que “gastar” muito do seu precioso tempo, descobrindo-as nos outros. Não. Numa sociedade em que o fast, o instantâneo é o que contam, não há espaço para esses tipos de pessoa.
Nunca houve tantos registros de casamento na Igreja como hoje em dia. E nunca houve tantas separações também. Como tudo aqui é efêmero, começa a surgir uma sensação de insegurança em cada um. O casamento parece que vem como uma tentativa de se estabelecer, de construir vínculos para que exista algum porto seguro, já que quase nem a família faz mais esse papel. Mas falta o costume, e, portanto a paciência para passar por certos obstáculos. Assim casamentos vêm e vão, na esperança de encontrar aquele ideal “feliz para sempre” como o dos nossos avós. Infelizmente esse ideal nunca sairá do papel porque ninguém tem tempo nem persistência para construir mais nada.
Certa vez namorei um menino de uma cidade do sul, que inclusive era pescador. “Pescador??”. É, pode se livrar desse preconceito. Ele não era nenhum ogro, pelo contrário, muito educado e culto. Enfim… Um dia fomos ao mercado e, ao invés de eu comprar alguns limões pra fazer um suco, comprei um saquinho de Clight. Ele ficou inconformado com aquilo. Para ele não fazia o menor sentido levar um pozinho artificial ruim, uma vez que eu preferia suco natural, estava de férias e tinha tempo de sobra para espremer os limões. Então ele começou a me chamar de americaninha. Levei o Clight, mas fiquei com aquilo na cabeça. Ele tinha toda razão. A nossa sociedade americanizada da cultura “fast” faz com que não tenhamos paciência pra lermos um livro, não nos permitimos parar um pouco, devanear. Não agüentamos esperar, não agüentamos frustração. O gozo tem que ser imediato. E esse hedonismo também impede que nos sintamos culpados, permite que não nos preocupemos com o outro. Faz com que passemos reto por alguém que esteja precisando de ajuda sem nos abalar, porque estamos com “pressa”. Acontece que essa conduta vai formando um rombo dentro de cada um de nós. Você não sabe, ou esqueceu, mas o outro importa sim porque todos nós estamos no mesmo barco existencial. E parar pra pensar é essencial sim, senão uma hora você se perde.
É por esse processo que muitos de nós começa a se distanciar de nós mesmos. As introspecções vão ficando cada vez mais raras, até que surge um vazio inerente ao humano. Porém, o que não vem junto com isso, são as ferramentas para lidar com essa sensação. Elas são fabricadas por nós mesmos, e demoram a ficar prontas. Aliás, não ficam prontas nunca, estão sempre sendo multiplicadas e aperfeiçoadas. Quanto mais vivemos, com v maiúsculo, os mais diversos tipos de ferramentas vão sendo inventadas. E quanto mais demorarmos pra começar a fabricá-las, mais elas vão demorar a ficar úteis.
Assim, a bola de neve só aumenta: a partir do momento em que parecer estar sempre bem é essencial, como podemos, por exemplo, admitir que estejamos sofrendo por amor? Se desarmar desse jeito é admitir que você precise do outro, exige coragem. É tirar a nossa máscara narcísica de ser perfeito e auto-suficiente. É ter que admitir que eu não me baste. Tem que ser muito macho. O mais fácil mesmo é não se apegar pra não correr esse risco, não é? Ficar só no consumo de corpos. Pegar seis na balada…
Se todos soubessem que o amor não nasce da perfeição, nasce do que temos de mais humano, nasce da tolerância e aceitação de tudo aquilo que não é perfeito. Nasce pelo contrário da aceitação do lado “bundão” de cada um. Talvez se apegar, e ter uma troca de afeto não seria tão difícil. Amar afeta nosso narcisismo. É a prova viva de que você não é o rei da cocada, que você não se basta, que você não é o bonzão.
Hoje em dia é assim: você chega e pergunta pra alguém, “oi como vai?”, poucas pessoas vão te responder que “putz, tô mal, passando por uma fase meio chata…”. Não. Está todo mundo “ótimo”, sempre. É claro entender o porquê desse hábito: poucas pessoas estão dispostas a ouvir outro tipo de resposta a não ser esta. O curioso é que as chamadas síndromes do pânico e as famosas depressões, só aumentam. Bom o pânico é denominado pelos psicólogos; neurose de angústia, e a depressão; vazio existencial, e mesmo assim está todo mundo “ótimo”? Deve ter alguma coisa errada em algum lugar… Não é a toa que os remédios psiquiátricos estão entre os quatro negócios (legais) mais lucrativos do mundo…
Acho que ficaria todo mundo aliviado se nos conformássemos que não existe saúde, felicidade e paz cem por cento do tempo. Ter saúde não é ausência de problemas, deficiências, conflitos, é saber falar sobre eles e é saber “conversar” com eles.
Esse desamparo da solidão, causada pela perda do coletivo, agravado pela falta de aparato psíquico porque não paramos para elaborar nenhuma frustração, faz com que não saibamos como lidar com a sensação de incomplitude, inerente ao ser humano. Nada favorece o alívio do desamparo, porque não há solidariedade, não há vínculos, não há paciência. Nesse contexto as pessoas começam a descobrir jeitos fáceis e porque não dizer solitários e instantâneos para aliviar essa angústia: fumar um beckzinho, tomar doce na rave todo final de semana, ou apenas enfiar a mão no bolso e tomar um Prozac, companheiro de todos os dias.
Sabe? Hoje eu falaria muito menos em usuários de drogas e muito mais em drogaditos, no sentido pejorativo da palavra mesmo. Porque antigamente as drogas eram usadas para ampliar, expandir a consciência. Hoje é pra anestesiar. Vejo como uma espécie de covardia. Nunca entendi porque me incomodava tanto que alguns amigos meus fumassem maconha e afins, e outros eu nem ligava. Sábio inconsciente…
E o que tem de gente indecisa, que não consegue fazer escolhas? Meu pai que diz que eu tenho que chegar meia hora antes que todo mundo no restaurante pra dar tempo de escolher meu prato. Escolher é difícil. A escolha é invariavelmente uma perda, só que perda é palavra proibida num mundo em que a religião é ter tudo. Então escolher nem sempre é ganhar, certo? Errado. Quando perdemos, ganhamos consistência simbólica. Obriga-nos a ter que lidar com a falta, nos obriga a ter que lidar com as coisas da vida. Quanto mais repertório, menos ansiolítico.
Não me excluo dessa cultura. Quem me conhece sabe. Também não peço pra você não comprar um sapato Prada, nem para você não ter um corpo bonito. Só peço que você saiba o porquê de todos esses quereres, ou melhor, de todas essas necessidades. Peço que você se esforce para ter paciência para ler textos grandes como esse, para escutar, para tentar entender. Para quê eu te peço tudo isso? Para que os seus filhos possam sentar no colo de alguém que lhes conte uma longa história, para que nossos netos tenham a chance de experimentar um almoço maravilhoso cozinhado com carinho por alguém que preparou a comida desde cedo. Para que haja mais paciência para ouvir, e reflexão para tolerar. Para sabermos por que somos do jeito que somos, por que a gente gosta do que gosta. Para quando, com a idade, os cabelos caírem, o rosto encher de rugas, se não houver mais dinheiro para calças Diesel e uns quilos vierem com a menopausa, as pessoas continuarem sendo felizes e fazendo os outros felizes com tudo que guardam dentro delas, não fora.
Todo mundo que me conhece me zoa porque eu penso demais, tenho uma cabecinha confusa, estou sempre em “crise”. Não nego. Sou confusa mesmo, me angustio mesmo. Mas, de verdade, eu prefiro aprender a lidar com o nosso mal-estar desde já. Estou aprendendo a aliviar minhas dúvidas e questões com o meu próprio aparato psíquico, e vou te contar… Quanto mais eu entendo tudo, mais feliz eu sou, mais leve fica minha vida. “Fácil” assim.
Tomara sinceramente que se tirarem sua bebida, maconha, ou Prozac, você dê conta.
Por um mundo melhor,
Marta Murat.
Ae marthinha ! lindo site hein ! sério gostei mesmo. meio grande seu texto vou dar uma lida amanha hahaha beijos !!
A formula é tiro-e-queda! mas tem que ser muito macho pra tomar esse remédio.
Verdade, você pensa muito, mas sabe tanto quanto eu, o “poder desse pensamento”, e mal sabem disso aqueles que te zoam.
Vc deve achar que eu seria a ultima pessoa a ler o seu texto… Achei mto bom, apesar de discordar em alguns pontos.
C certeza vo ler varias vezes de novo, pq gostei das suas ideias, e elas estao postas de um jeito mto claro. Gostei mto marta!
bjos,
tio re
Bom texto Má!
Continue avisando quando houverem textos novos!
Beijo
Nossa! Juro, não estava esperando respostas tão “instantâneas” assim ehehehe! Gratificante…
Tinha certeza que as pessoas iam ficar com preguiça de ler. O problema é que as que tem preguiça, na minha opinião são as que mais precisavam começar a ler…
Digo, obrigada pelo elogio, falo por mim e pelo Dú, que fez esse site pra mim.
Du, as vezes eu sinto que você é uma das pessoas que mais me compreende ahahaha
Rê, realmente não esperava que você lesse. Se der depois relê e me fala os pontos que vc discorda pra gente discutir… ahaha… que nerd!
E Mi, adorei que você gostou! Pode deixar que eu aviso qdo tiver outros… Preciso me inspirar… Acho que vai demorar um pouco!
É importante pra mim que vocês comentem… Valeu mesmo!
hahahah… muito bom esse final – por um mundo melhor.
Concordo com grande parte do que escreveu, Má. Mas tem alguns pontos que, por mais reais que sejam, não tem como mudar. A questão de falar que está tudo ótimo acaba sendo uma forma de cumprimento e não uma resposta real ao que se pergunta. Quando as pessoas querem saber se está, realmente, tudo bem, há uma intonação diferenciada. E não faz sentido você responder que está tudo mal, péssimo e errado para pessoas que não tem uma proximidade grande com você. Imagina você cumprimentando o diretor de uma empresa e ele te pergunta se está tudo bom, claro que vai responder que sim. Bom, tem uns outros pontos que discordo, mas fica para uma próxima conversa. E assim como o “tio Rê”, acredito que não esperava que eu lesse o texto e muito menos que deixasse um comentário. hehe
Avisa quando tiver outros textos.
Beijos,
Má
Mááááá
ADORO que agora vou poder sempre ler tudo isso que você tem ai dentro dessa cabeça!!! Já vou reservar um tempo de cada dia!!! Por sinal, amei o seu texto!
Saudades!
Beijos!
Puutz! Martinha com H…. Fui muito pouco perspicaz, hein Ro!! Achei que fosse outro Rodrigo… E aí!? Quero saber se leu!!
Gabi!! Já que agente náo consegue se ver, pelomenos a gente se comunica assim… Mas pö, nao precisa reservar um tempinho todo dia pra textos assim, nao! Se a cada 20 dias conseguir me inspirar pra fazer alguma coisa decente já vou ficar feliz!
Má (rrrcela)! Meu objetivo ao escrever esse texto nao é mudar nada, a nao ser a consciencia das pessoas. Nao acho que contar meus problemas para o presidente de uma empresa seja a coisa mais sensata a se fazer… ahaha…
Voces nao sabem como voces estao sendo motivadores
Valeu mesmo!
Beijos
Ma,
antes de elogiar o seu texto, quero elogiar a autora dele!!!
li em algus comentarios que talvez as pessoas nao tenham concordado com vc alguns pontos, mas eu, Ana Paula, nao posso deixar de dizer q mais do que tudo, esse texto eh super pertinente pelo o que vc Marta estava sentindo e mais outras centenas de pessoas q sao analisadas semanalmente por psicologs, analistas,terapeutas, pai de santo e etc!!!
adorei, mas do qe o texto, descobrir q eu tenho uma prima super escritora e que sera uma Senha Psicologa!!
PARABENS pela cabeca pensante q vc tem e a sua capacidade de colocar tudo que acontece dento dela no papel, sem medo de “viver com v maiuculo”!!!
Beijo grande e espero mais,
A.Paula
Máá!!
como já disse AMEI!! Mesmo mesmo linda!! Pensa bastante mesmo que estão saindo coisas boas querida!!!
Muito muito bom, já refleti e recomendei!! hehe
Nos falamos (mas de verdade e não daquele jeito que nunca fala)
bjaooo
Mulheeeeeeer!!!!!!!
Primeira vez que entrei no seu site e já li o negócio todo de cara sem nem pensar duas vezes!!!! fudido!!! mto bom mesmo!!!!!
não preciso nem dizer o que acho de tudo isso né, ja conversamos varias vezes sobre essas coisas…. bom, espero um dia tomar vergonha na cara e me tornar um psicologo fudido tbm!!! aí te dou uma ajudada com os textos!! hahaha
bjoooooo
Martinha,
Ontem na sala não tive como ler o texto no meio da confusão.
To orgulhoso de vc, ficou muito bom, bem escrito e desenvolvido. O texto tá longo mas muito envolvente.
Eu tenho uma aula que o professor fala muito sobre o tema desse seu texto, do vazio das pessoas hoje, do amor ( amor líquido, que é um livro que agente ta lendo un trecho ). Tenho um trabalho dessa matéria que se eu enviasse esse seu texto com algumas edições tirava de 8 pra cima.
Parabéns martinha, sempre que vc escrever coisas novas me dê um toque
beijão
Simplesmente EXPLENDIDO!
o dia que vc escrever um livro, por favor me avise, meus parabéns!
Rodrigo,
Muito obrigada pelo elogio. Fico muito feliz que haja pessoas assim como você que se interessam por ler textos longos como esse, sem mesmo conhecer o autor. Gente como você faz com que eu tenha um pouco mais de esperança nas pessoas.
Não precisa esperar eu escrever um livro para começar a ler sobre esse tipo de assunto. Se você quiser eu te indico alguns livros.
Um beijo,
Marta
Vlá, se precisar de ajuda é nóis!! Essas aulas desses professores são animais né?! Ajudam muito a gente viver entendendo mais o mundo.
Fico muito feliz que você tenha se orgulhado de mim. A crítica dos irmãos Figueiredo é muito relevante pra mim. Sério mesmo. Cada um do seu jeito…
Ri, acho você um talento desperdiçado!!! Larga o marketing e vem pra psicologia!! ahaha Tô brincando.
Amei que vocês leram e gostaram! Valeu!
Martinha, você ficou famosa em minha família depois desse texto.Parabéns!Você conseguiu o que queria: refleti por no mínimo 1 hora dpois de ler o texto.
Ah, decidi parar de tomar Prozac e fumar maconha.
Obrigado.
Nossa Má ta com tudo hein? Fazendo todo mundo refletir inclusive eu. Como ja te disse fiquei impressionada em ver a facilidade que vc conseguiu transformar seus pensamentos em palavras. Disse tudo de forma perfeita. Agora todos os dias entro pra ver se tem textos novos. Vc é iluminada amiga. Lembre-se sempre disso ta? Continue nesse caminho pq sei que vc ainda ajudará mts pessoas a se transformarem e se preencherem. Um bjo Helo
Martinhaaa!!!
Nooossa que orgulho da perigosa!! Mandou muito, ta muuuito bom!
Mas o melhor, pra mim, foi que como eu te conheco muito bem, conforme eu lia, na minha imaginacao eu conseguia ilustrar as pessoas ou situocoes sei la, nas quais eu acho que vc estava pensando qndo tava escrevendo! Principalmente na parte de que todos de zoam (que é uma coisa, que segundo voce mesma, vc gosta) e das malditas calças diesel, varias kelly´s e bebida!
Martinha, de presente, um convite para irmos pra avare no feriado do dia 1, naquele esquema mó apertado, topas?
beijo
Marta,
Muito boas ideias. Mas nao troque alhos por bugalhos. A busca da saude, dinheiro, sabedoria, etc pode realmente repousar na fina camada de personalidade que muitas pessoas possuem. Mas isso nao ocorre sempre. Muitas vezes a “des-humanizacao” das pessoas ajuda a diminuir os erros cometidos e a clarear areas que sao muito turvas por conta de sentimentos, emocoes, e outros sintomas “humanos”. Nem sempre saber que estamos fadados ao erro ajuda. As vezes pode soh servir de caminho alternativo onde os mais fracos, ou mais preguicosos vao escolher estar ao inves de estar tomando o caminho mais dificil.
Agora tah tarde, e to cansado..volto depois pra terminar..beijoo
Marta, animal!! Meus parabéns, de verdade!!
Achei o texto muito bom, profundo, e, com certeza, se mais pessoas tivessem essa iniciativa como a sua ou, pelo menos, parassem por 5 minutos para ler um texto como esse com calma, as relações interpessoais seriam muito melhores!!
Continue assim; é evidente que vc tem um talento!!
beijoss
Fred
Querida Marta,
Tive acesso ao seu texto e entendo que não cabe nem crítica nem elogio porque não é isso que você está procurando. Cabe sim e ao que me proponho, aceitar o seu convite ao diálogo entre aqueles que usam seu tempo também para pensar e que querem um Mundo Bem Melhor.
[Peço que se esforce para ter paciência para ler textos grandes como esse, para escutar, para tentar entender.
As introspecções vão ficando cada vez mais raras, até que surge um vazio inerente ao humano.
Todo mundo que me conhece me zoa porque eu penso demais...]
Está evidente que estamos em meio a um processo de transição quando, o ser humano, como que “esgota” as possibilidades de um “Mundo Físico” e começa a descobrir e desfrutar das possibilidades de um “Mundo Psíquico”. É um processo que envolve todo o planeta.
[Confesso que até fique meio frustrada de descobrir que a minha crise existencial não era só minha.]
O avanço tecnológico multiplica de maneira fantástica o acesso a informação e a sensação de efemeridade se torna mais evidente do que nunca. É impossível se manter a par de tudo o que está acontecendo.
[Como tudo aqui é efêmero, começa a surgir uma sensação de insegurança em cada um.]
A necessidade de TER aparece de maneira exacerbada. Uma vida voltada para o consumo… As pessoas com aquilo que possuímos dentro de cada um de nós, chame como quiser, sufocado, velado, pisado, deprimido pelo egoísmo, levam uma vida voltada à satisfação imediata de necessidades materiais desmedidas.
[Parece que as pessoas esqueceram do que temos de mais essencial, e do que nos caracteriza como humanos. E é isso que eu chamo de "alma".
Não agüentamos esperar, não agüentamos frustrações. O gozo tem que ser imediato.]
O TER é a ordem do dia.
O Ser Humano, voltado para si mesmo, pisa, ofende, machuca, usa e abusa sem limites para a obtenção daquilo que o satisfará e que nunca satisfaz. [Como eu sou mais importante que o resto, venho antes de todos, começo a usar o outro, não como outro que se relaciona, que ora te completa, que é separado de você, mas como objeto para a própria satisfação.]
No mundo do “TUDO” as possibilidades são infinitas, nunca se esgotam. Só há a satisfação plena no seio do “TODO” que nos compreende. [...sensação de incomplitude inerente ao ser humano...]
Só há a plenificação no auto conhecimento. É milenar, dito e redito e o Homem continua procurando fora!
Este nosso mundo, tridimensionalmente dimensionado, bipolar, onde a percepção do que está é feita por 5 restritos sentidos, está maravilhosamente disposto para que tenhamos as vivência e experiências que nos darão a possibilidade de apreender o conhecimento que satisfará as nossas necessidades.
Tudo aqui obedece ao cumprimento de uma “Necessidade de Evolução” que é o desígnio de tudo e todos.
E sim, concordo, todos que nos cercam, aqueles com quem convivemos e nos relacionamos, e o que absolutamente não é por acaso, estão aí como “espelhos” e como “promotores de acontecimentos” que nos possibilitam essas vivências necessárias para que possamos nos conhecer, reconhecer, evoluir.
As perguntas a serem respondidas, Quem sou?, Onde estou?, De onde vim?, Para onde vou?, começam pelo auto conhecimento.
Se você não sabe quem é, não se reconhece, não sabe do que é capaz e passa a vida dando trombadas sem objetivo.
[Mesmo porque se as qualidades valorizadas passassem a ser a sapiência, a cultura, a inteligência, a integridade, a bondade, a amizade, as pessoas teriam que "gastar" muito do seu precioso tempo, descobrindo-as nos outros.]
Esse conhecimento, esse entendimento que todos procuram, consciente ou inconscientemente, para que se estabeleça dentro de nós, faz uma exigência. É preciso que haja espaço. Sim, espaço dentro do seu ser. Espaço esse que está ocupado por egoísmo, luxúria, vaidade, orgulho, pré conceito, inveja, etc., etc. …
A coragem para enfrentar essas verdades que virão com o auto conhecimento e reconhecimento de nós mesmos, como seres portadores da “centelha divina”, é que fará com que nos sintamos livres e reconheçamos a justiça absoluta que sempre se faz presente e tenhamos paz.
O Homem quer o mundo melhor e não sabe como ou o Homem não quer o mundo melhor?
Claudio Gosson
Pois é… optar por vivenciar apenas as brisas que sopram nosso íntimo é muito cômodo e prazeroso, afinal de contas alguém quer alguma outra coisa que não seja prazer fácil? Difícil mesmo é experimentar vendavais: eles sempre destróem alguma coisa, e aí construímos novamente, só que mais forte; eles sempre testam nossa solidez, e aí reforçamos os alicerces; sempre depois de um vendaval temos que juntar cacos, destroços e refazer nosso telhado. Para experimentar vendavais é preciso coragem para uma constante re-construção.
Parabéns, Marta, pela coragem de se re-construir constantemente.
Roger
Tio Cláudio,
Desculpe por demorar tanto pra responder. Fiquei muito feliz com o seu comentário porque alem de me motivar, como todos os outros, me fez linkar duas linhas de pensamento que se desenvolviam paralelamente: uma é correspondente ao mundo e as pessoas do jeito que estão hoje, e outra diz respeito a o que eu venho descobrindo ao longo deste ano, que se refere a coisas menos racionais que eu simplesmente ignorava. Gracas a amigos como voces um mundo de possibilidades se abriu diante de mim.
Ja pensava em como iria desenvolver um texto abordando esse assunto de uma forma que prendesse a atencao das pessoas que eu gosto… Acho que voce me ajudou bastante com o seu comentario!
A respeito da sua pergunta final…
Eu quero acreditar que o homem quer o mundo melhor mas nao sabe como.
Roger,
Gostei da sua metáfora. Nunca tinha pensado sob esse ponto de vista. Penso a partir da minha experiencia que, uma vez que experimentamos nos construir de uma forma consciente experienciamos de pouquinho em pouquinho um preenchimento, uma complitude que nao conseguimos através apenas de um elogio ou de qualquer outra coisa que venha do externo…
A partir dai, nao mais é preciso coragem, apenas energia. A coragem é necessária no inicio, depois nao tem mais como se livrar dessa eterna re-construcao. Pelomenos eu nao vejo como alguem pode interromper esse processo.
Amei o feedback, Roger!
Valeu!
Beijo,
Má
Sobre a questão colocada pelo Claudio:
Eu acredito que o Homem quer querer um mundo melhor, e para poraí… mas querer não é fazer.
Fantastico seu texto, de verdade. E depois de ler ainda os comentarios digo, é gostoso lembrar que existem pessoas que pensam assim. Mais legal ainda é ver alguém organizando em palavras o turbilhão de idéias e pensamentos que inundam nossas cabeças de tempos em tempos.
O texto me fez pensar, DE NOVO, e acho que versa, numa análise bem rasa, sobre duas questões básicas, a do querer ser reconhecido, e a de como ser reconhecido. Tem certas coisas, como alguém comentou acima, que é mto foda de lutar contra, e acho q querer ser reconhecido e uma delas. Eu adoraria não querer ter o reconhecimento de outros, mas eu sinto que eu preciso ter, e acredito que a grande maioria me acompanha nessa vontade. A questão maior, ou que pode ser trabalhada é a do como ser reconhecido, ou ser reconhecido pelo que. Penso que grande parte das nossas angustias deve ser resolvida qdo os motivos pelos quais você realmente deseja ser reconhecido são descobertos. E acho que aí entra mais fortemente a sociedade narcísica do espetáculo e todos esses padrões “impostos”. Todo mundo busca o mesmo reconhecimento definido pela aparência, pelo ter. Caraca, e como são fodas esses pedrões. A simples pergunta do “tudo bem”, como vc disse, simboliza bem tudo isso. E não e so pro diretor da sua empresa, com os proprios amigos a parada rola parecida. Me acho bastante verdadeiro, a ponto disso me incomodar, e acho dificil responder “bem” qdo nao ta. Mas as vezes me sinto “errado” de falar q nao ta tudo bem, justamente pq tristeza, ou mesmo a falta de alegria, é depressão, é desvio, doença. Nisso, ate curto um pouco a gringaiada q responde “Not bad”. Devia ter algo parecido em português, praqueles casos q vc nao quer estender o papo, mas tbm nao quer mentir.
Na minha profissao, mtas vezes ficar pensando mto e encarado como perda de tempo. Gostaria de ter mais gente por perto com ideias parecidas a essas. Mas de qqer maneira, ler textos e comentarios como esses me faz lembrar q nao preciso me corrigir qto a isso. Parabens.
Oi Marta!!!!
Gostei muito do seu texto!!!
Parabéns, viu?
Concordo com muitas questões expostas!
Acho que na sociedade em que a gente está vivendo, são poucas as pessoas que se importam com o outro. Já percebeu que até quem pergunta – “Oi. Tudo bem?” não está verdadeiramente interessado em saber a sua resposta? Talvez por isso as pessoas já não respondam mais à pergunta ou respondam rapidamente – “Tudo. E Vc?”…
Pois bem… Não duvido de que seja uma forma de cumprimento, mas há certamente um “buraco muito mais fundo” do que se imagina por trás disso… Está tudo interligado com o que vc expõe no seu texto.
Parabéns e sucesso.
Pena que a gente não se aproximou mais no SAT. Quem sabe nos próximos….
Um beijo, Céli